Como o controle deslizante interage com um mouse

└─ 📂 UX · June 5, 2020 · 3 minute read


Há uma semana, enquanto me preparava para uma entrevista, acabei inadvertidamente alterando a configuração de balanço de saída de som. Por algumas horas, acreditei que alguma configuração de software meu sistema havia quebrado — especialmente após o problema desaparecer quando carreguei a versão live 1 do Pop!_OS. Horas depois, descobriria que não havia problema algum com a minha instalação, mas sim com as minhas expectativas de funcionamento das interfaces gráficas.

Um elemento de interação (ou widget) comum em interfaces gráficas é o controle deslizante — definido como um elemento permite que o usuário faça ajustes de parâmetros em um intervalo de valores pré-definidos. Um exemplo clássico de seu uso em interfaces gráficas é no controle de volume de dispositivos de entrada e saída em um computador, ou na intensidade de brilho da tela de um dispositivo.

Controles deslizantes para ajustes de volume de dispositivos de entrada e saída de som no Pop!_OS.

Eu costumeiramente uso cliques para fazer os ajustes necessários neste tipo de widget. O que eu não sabia dias atrás, porém, é que ele aceita outro tipo de interação quando em foco: através da roda o mouse.

No menu de configuração de Som do GNOME, o mouse rola a página até o controle de balanço de saída de som. Quando o mouse toca na área de foco do controle de rolagem, a roda do mouse passa a controlar o controle deslizante do balanço.

Enquanto rolava a página de configurações de áudio, coloquei o controle deslizante do balanço de saída de som em foco por ter uma tendência em deixar o ponteiro no lado direito — o lado em que as chances de ativar o foco no controle deslizante desta opção são maiores dado o espaçamento entre elementos. Acabei fazendo com que o balanço se concentrasse totalmente no lado esquerdo, o que me deu a impressão de algo havia “quebrado”.

Pode parecer óbvio — afinal, ajustes com a roda do mouse ajudam o usuário a ter um maior nível de precisão na operação desses widgets—, mas este é um padrão de design que eu nunca havia notado em tantos anos de uso de sistemas operacionais. Ele também está presente no Windows:

Uma tela dividida entre o Spotify e os controles de volume do Windows demonstra a rolagem de uma página e o controle de todos os controles deslizantes através da roda do mouse.

Este é um bom exemplo de como as expectativas de um designer colidem com o comportamento de um usuário — afinal, esperando um determinado comportamento da interface, cometi um erro básico e que possivelmente não foi previsto no fluxo esperado pela pessoa que projetou aquele menu. Isso é o resultado de um padrão obscuro ou uma limitação do meu letramento digital? Eu diria que não é nenhum dos dois, mas uma terceira opção: um padrão de design tão adotado que é considerado intuitivo, uma regra que “todo mundo sabe” e por isso é raramente ensinada.

A escrita técnica me ensinou ao longo dos anos o valor da empatia e da humildade — a realidade de não se saber tudo, a certeza de nunca poder saber tudo, e a chance de ajudar outras pessoas a entenderem algo ao não supor que algo é fácil, óbvio, ou simples. E esta foi uma das descobertas que me fez lembrar que, por mais que eu seja uma usuária de Linux bastante avançada, sempre haverá espaço para aprender algo novo.


  1. A versão live de uma distribuição Linux é uma versão do sistema que pode ser utilizada através de um DVD ou pen drive, sem a necessidade de fazer modificações no armazenamento interno de um computador. ↩︎


Meet the writer

Anna e só is a documentarian who loves learning new things every day—and sometimes, if they are lucky, they learn something that may be useful for someone else. They are determined to put an end to the tragedy of Undocumented Issues, Unhelpful Answers, and Untranslated Content. ⌨️